Radio Vaticano Portogues

As mulheres do Advento e a maternidade como dom de Deus

A Associação “Mulheres no Vaticano” , marcou o seu primeiro ano de vida na passada quarta-feira 13, com uma assembleia geral das sócias. O encontro foi precedido de uma missa presidida pelo P. Federico Lombardi, Director Espiritual da Associação.  Tal como noutras celebrações litúrgicas para os membros desta Associação, o P. Lombardi centrou a sua homilia sobre a mulher na Sagrada Escritura. Desta vez, chamou a atenção para algumas figuras femininas que se encontram nas leituras do tempo do Advento. Uma homilia que achamos oportuno partilhar convosco, pelo menos nos seus aspectos essenciais, por ocasião do terceiro domingo de Advento.  

- P. Lombardi, normalmente no período do Advento estamos mais habituados a ouvir falar de Maria que aceitou ser mãe do Filho de Deus, e que contemplamos também no Presépio. Mas na sua homilia falou doutras mulheres, dividindo-as em dois grupos. Um que definiu como “As mulheres da genealogia de Jesus” e outro como “As mulheres estéreis”. Comecemos pelo primeiro grupo, quem são exactamente?

São as mulheres que aparecem na página do Evangelho de São Mateus que nos apresenta a genealogia de Jesus. Normalmente as genealogias compreendiam só os homens e, com efeito, no Evangelho de Lucas é assim, mas no de Mateus aparecem, de forma muito evidente, quatro mulheres: Tamar, Racab, Rute e Betsabea. E não é por acaso. O evangelista quer transmitir-nos uma mensagem”.

- E é uma mensagem - se compreendi bem - ligada às vicissitudes de vida dessas mulheres, não é?

Sim, essas quatro mulheres são conhecidas porque fala-se delas nos livros do Antigo Testamento, e têm histórias bastante particulares. Não são mulheres “normais”, não são tranquilas donas de casa e simples mães de família. E isto pode suscitar alguma curiosidade, mas o objectivo do evangelista Mateus não é certamente o de solicitar a curiosidade com histórias um bocado “picantes”.

- Que histórias são essas, Padre, e porque é que o evangelista Mateus nos quer dizer que elas faziam parte dos antepassados de Jesus?

Pois bem, Tamar, é a esposa de um dos filhos de Judas – o primeiro filho de Jacó. Ela ficou viúva sem ter filhos com o seu marido. Nestes casos, havia entre os Judeus aquilo que nalgumas partes da África se chama levirato, isto é um dos irmãos do defunto devia casar-se com a viúva para garantir uma descendência ao falecido marido. Mas no caso de Tamar não havia meio de isto acontecer e ela andava triste por causa desta injustiça da parte do sogro e dos cunhados. Então usou de uma astúcia: fingiu ser uma prostituta e sem se fazer reconhecer pelo sogro, ficou grávida dele, e quando o sogro descobre que ela está grávida, dá ordens para a queimarem, mas ela consegue demonstrar que é o sogro o pai do filho que traz no ventre e salva-se. Nascem então dois gémeos, o primeiro dos quais é antepassado de Jesus".

- E Racab, P. Lombardi, quem é?

Racab é uma prostituta que vivia em Jericó antes da conquista por parte dos hebreus, guiada por Josué. Josué manda dois espiões a Jericó para ver como conquistar a cidade. Eles vão à casa de Racab. Os cidadãos desconfiam e procuram-nos. Mas Racab que tinha compreendido que os hebreus iriam ser os patrões de Jericó fê-los fugir às escondidas. Assim, quando Jericó foi conquistada, Racab e a sua família foram poupadas pelos conquistadores. Aliás, ela torna-se uma mulher honrada e se insere ela também na linha genealógica de Jesus”.

- E Rute?

Rute é, pelo contrário, uma mulher bondosa e muito respeitada que ficou viúva e cuida, com generosidade e afecto,  da sogra Noemi que tinha também ficado viúva. Rute não era hebreia e por isso não era considerada digna de dar à luz o Messias. Mas, um homem honesto e rico, chamado Booz, vendo como cuida da sogra, apaixona-se por ela e acabam por se casar. Assim ela também, embora sendo estrangeira, entra na genealogia de Jesus”.

- A quarta mulher é Betsabea, não é?

Sim, Betsabea teve uma vida marcada pela potência, pela concupiscência e pelo adultério de Davide. É uma mulher usurpada ao seu primeiro marido e que perdeu o seu primeiro filho concebido no adultério. Teve uma vida atribulada e conturbada. Mas ela também entra na linhagem de Jesus”.

- E qual, então, a mensagem de tudo isto, Padre?

A mensagem é que Jesus veio de uma história muito concreta, uma história em que há tragédias e pecados, enganos e traições, paixões e afectos, uma história em que não há raça pura, porque dela fazem parte também mulheres estrangeiras. Uma história  como a história de todos os tempos e também dos nossos dias. Jesus encarnou-se verdadeiramente, não só no sentido de que nasceu de uma mãe e teve um corpo humano, mas também no sentido de que entrou na história humana tal como ela é, com o bem e com o mal que apresenta, com as suas virtudes e os seus erros e mesmo crimes. Como se costuma dizer, Deus escreve direito por linhas tortas; a fidelidade de Deus não se perde, o seu plano de salvação nos abre na mesma o caminho. E isto passa também através de relações concretas entre homens e mulheres. As mulheres das quais deriva a história em que Jesus se insere nesta terra não são todas e apenas histórias virtuosas. São as que são! No fundo, isto é também para nós (que conhecemos as nossas histórias por vezes não fáceis) uma mensagem de esperança”.

- P. Lombardi, vimos até agora o grupo de mulheres da genealogia de Jesus, mas, conforme disse na homilia, há ainda um outro grupo de mulheres no Advento, que são também importantes na história da salvação?

Sim, são mulheres estéreis ou já de uma certa idade, mas que não tiveram filhos. Sofrem com humildade e paciência ou então continuam a desejar e a esperar ter um filho. E rezam a Deus para que lhes satisfaça esse desejo. São muitas e de entre elas há Sara, esposa de Abraão, que dá à luz um filho já em idade avançada. E acontece o mesmo também com outras esposas e mães dos patriarcas: Rebeca, esposa de Isaac e mãe de Jacó; Raquel, mulher de Jacó e mãe de José e Benjamim, foi também abençoada pelo Senhor com a maternidade.”

- E há ainda outras, ou são só estas?

Há dois outros contos muito belos de mulheres estéreis que recebem como dom um filho que elas dedicarão ao Senhor e que terão uma grande missão a desempenhar. São dois contos que a liturgia do Advento faz ouvir nas missas da novena de preparação ao Natal. Trata-se da mãe de Sansão, cujo nome é desconhecido, e da mãe de Samuel, Ana. Ela tem um marido que a ama muito e que lhe diz que não importa se não têm filhos, mas ela não se consola. Um dia, num santuário, ela expõe o seu caso a um sacerdote que lhe diz para ter confiança... E quando ela recebe a graça de conceber, cheia de gratidão, leva o filho ao Santuário e o oferece para o serviço ao Senhor. A ela está associado o cântico da gratidão: “A estéril deu à luz sete vezes e a rica de filho desfloresceu” . Quem ouve este cântico sente imediatamente a sua profunda consonância com o Magnificat de Maria. Para a mulher de fé a maternidade é muitas vezes um grande dom de Deus, o dom através do qual ela se dá conta de que o Senhor age em profundidade e de modo maravilhoso e surpreendente na sua vida e no mundo.”

- E não nos podemos esquecer de Isabel, outra figura feminina de que nos fala muito a liturgia do Advento, não é?

Sim, o primeiro capítulo do Evangelho de Lucas fala de um casal, ambos já idosos. São justos, piedosos e, no entanto, não tiveram filhos. Esta página evangélica quer-nos dizer que é preciso o dom de Deus, para que o que é impossível aos homens se torne possível. E o filho de Zacarias e Isabel chamar-se-á, João, que quer dizer, precisamente, “Dom de Deus”. Tudo permanece, todavia, segredo, e será o anjo a falar a Maria como sinal também para ela de que o que é impossível aos homens, é possível a Deus. Também Maria era estéril do ponto de vista humano!  Ela também faz parte deste grupo de mulheres estéreis através das quais se realiza o plano de Deus".

"Vemos, portanto, que não só Maria é a primeira a acolher Jesus, mas que há também uma mulher grávida, Isabel, que é a primeira testemunha da Incarnação de Jesus. Sempre as mulheres, tanto no início da história com a Incarnação, como no novo início da história com a Ressurreição. Mas no fundo é normal, pois a vida nasce delas; sentem profundamente, fisicamente, o sobressalto de alegria dentro de si. Então, peçamos às mulheres do Advento para nos abrirem os olhos e o coração à fé.” 

(DA) 

Evitar cair nos pecados da comunicação - Papa à USPI e FISC

O Papa Francisco teve neste sábado, 16 de Dezembro de 2017, uma manhã intensa, com diversas audiências. Iniciou às 9 horas recebendo o Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação da Congregação para os Bispos; seguido às 10 horas do Presidente da Republica do Equador, Lenin Moreno Garcés, com o séquito. O encontro durou 45 minutos, após os quais foi a vez de D. Hector Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, no Peru, país que o Papa vai visitar em Janeiro; às 11.15 recebeu na Sala do Consistório uma Delegação da Acção Católica Meninos (ACR), formada de 80 pessoas. Por último, ao meio dia, Francisco recebeu na Sala Clementina, uns 350 membros da União da Imprensa Periódica Católica (USPI) e da Federação Italiana dos Semanários Católicos (FISC). 

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Aos 350 membros da Imprensa periódica e Semanários Católicos italianos, em representação de cerca de 3 mil órgãos jornalísticos, o Papa disse-lhes que têm uma das mais importantes missões do mundo: “a de informar correctamente, de dar a todos uma versão dos factos o mais aderente possível à realidade. Sois chamados a tornar acessível a um vasto publico problemáticas complexas, de modo a fazer uma mediação entre o conhecimento à disposição dos especialistas e a possibilidade concreta de uma sua ampla divulgação. A vossa voz livre e responsável é fundamental para o crescimento de qualquer sociedade que se considere democrática, a fim de que seja contínua a troca de ideias e um profícuo debate baseado em dados reais e correctamente reproduzidos”.

O Papa fez notar ainda que no nosso tempo dominado pela ânsia da velocidade, pelo sensacionalismo, em detrimento da precisão e da completude, da emotividade, em vez da reflexão ponderada, sente-se a premente necessidade de uma informação de confiança, com dados e notícias verificáveis, e que faça crescer no leitor o sentido crítico e não faça dele uma presa fácil para manipulações.

Uma exigência à qual – afirmou Francisco – a média e pequena editoria pode responder facilmente, pois que possui no seu índole vínculos saudáveis que a ajudam a gerar uma informação menos sujeita à pressão das modas. Com efeito, é geneticamente mais ligada à sua base territorial, mais próxima da vida quotidiana das comunidades e aos factos na sua essencialidade e realidade, realidade que não encontra espaço facilmente nos outros canais de  comunicação.

Quanto aos semanários diocesanos, membros da Federação Italiana Semanários Católicos (FISC) que está a comemorar 50 anos de vida, o Papa disse que podem ser “úteis instrumentos de evangelização”, de dialogo e comunicação entre as várias componentes eclesiais. Trabalhar nestes meios significa sentir a proximidade das pessoas, ler os acontecimentos à luz do Evangelho e do magistério da Igreja. Estes elementos são no dizer do Papa, a “bússola” do modo peculiar de fazer jornalismo, de dar notícias, de expor opiniões.

Os semanários diocesanos, integrados com as novas formas digitais de comunicação, são importantes e “necessitam de um renovado empenho da parte dos Pastores e de toda a comunidade cristã”  - frisou o Papa, recomendando uma linguagem pacata, palavras ponderadas e claras, que afastam a inflação do discurso alusivo, gritado e ambíguo.

É importante – continuou – dar à opinião pública instrumentos para poder compreender e discernir sobre a informação que recebe e não fique atordoada, desorientada. O direito à informação correcta, assim como a dignidade das pessoas foram igualmente sublinhados pelo Papa que disse:

Não se deve cair nos “pecados da comunicação”: a desinformação, isto é, dizer só uma parte, a calúnia, que é sensacionalista, ou a difamação, procurando coisas ultrapassadas, velhas, e trazendo-as hoje à luz: são pecados gravíssimos, que prejudicam o coração do jornalista e prejudicam as pessoas.”

Francisco concluiu o seu discurso, encorajando a existência e a vitalidade destes meios de comunicação católicos, voz da riqueza das diversas comunidades locais e dos seus territórios. 

(DA)

Sêde bons fotógrafos do que fez Jesus - Papa aos meninos da ACR

O Papa Francisco teve uma manhã intensa, com diversas audiências. Iniciou às 9 horas recebendo o Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação da Congregação para os Bispos; seguido às 10 horas do Presidente da Republica do Equador, Lenin Moreno Garcés, com o séquito. O encontro durou 45 minutos, após os quais foi a vez de D. Hector Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, no Peru, país que o Papa vai visitar em Janeiro; às 11.15 recebeu na Sala do Consistório uma Delegação da Acção Católica Meninos (ACR), formada de 80 pessoas. Por último, ao meio dia, Francisco recebeu na Sala Clementina, uns 350 membros da União da Imprensa Periódica Católica (USPI) e da Federação Italiana dos Semanários Católicos (FISC).

Francisco saudou os meninos e meninas da Acção Católica de toda a Itália que lhe vieram apresentar os  votos de Natal, votos particularmente alegres – disse – e que quiseram acompanhar com os frutos das suas iniciativas de solidariedade a favor dos pobres e das pessoas desfavorecidas. “Obrigada de coração por este vosso gesto”.

Francisco agradeceu-lhes também por lhe terem actualizado sobre as suas actividades que – disse – demonstram a vitalidade da Acção Católica italiana dos Meninos e meninas. O Papa manifestou particular apreço pelos encontros que eles estão a ter este ano, para conhecimento e proximidade com os “avós” da Associação por ocasião dos 150 anos da mesma.

Esta é uma coisa muito bela e importante, porque os anciãos são a memória histórica de cada comunidade, um património de sabedoria e de fé que deve ser ouvido, conservado e valorizado.”

O Papa deteve-se depois sobre o percurso formativo que eles estão a seguir e que tem como lema “Prontos a tirar“ em analogia à fotografia, o que quer dizer que se empenham a fixar a atenção sobre os momentos decisivos da vida de Jesus, para procurar assemelhar-se cada vez mais a Ele, “vosso grande e fiel amigo”.  

Sede, portanto, bons “fotógrafos” seja daquilo que fez Jesus, seja da realidade que vos circunda, tendo olhos atentos e vigilantes. Muitas vezes há pessoas esquecidas: ninguém olha para elas, ninguém as quer ver. São os mais pobres, os mais fracos, relegados às margens da sociedade porque considerados como um problema. Mas são, pelo contrário, a imagem do Menino Jesus recusado e que não encontrou acolhimento na cidade de Belém, são a carne viva de Jesus sofredor e crucifixo”.

O Papa encorajou os jovens a assumir isto como um empenho e a perguntar-se:

mas eu, a quem é que dou mais atenção? Só aos mais fortes, que têm mais sucesso na escola, nas brincadeiras? A quem é que dei menos atenção? Quem é que fingi não ver?

E para identificarem as suas “periferias”, Francisco disse-lhes para tentarem fixar o foco da sua máquina fotográfica nos companheiros e nas pessoas que ninguém vê e a ousarem dar o primeiro passo para as encontrar, dar-lhes um pouco do seu tempo, um sorriso, um gesto de ternura. E concluiu com esta exortação:

Caros meninos e meninas, sede amigos e testemunhos de Jesus, vindo a Belém para o meio de nós. Nesta festa do Santo Natal, já às portas, sois chamados a fazê-lo conhecer cada vez mais aos vossos amigos, na cidade, nas paróquias e nas vossas famílias. Obrigado mais uma vez pela vossa visita. Abençoo-vos com afecto, juntamente com os vossos entes queridos, com os educadores, os assistentes e com todos os amigos da ACR”. 

(DA) 

Portugal: criada rede “Cuidar da Casa Comum”

Em Portugal foi recentemente criada a rede “Cuidar da Casa Comum” com o objetivo de sensibilizar a população para os problemas ecológicos de “âmbito nacional e mundial”.

Segundo informa a Agência Ecclesia, esta iniciativa é promovida por “um conjunto de instituições e movimentos da Igreja Católica e de outras Igrejas cristãs em Portugal” que vão procurar fomentar a responsabilidade na defesa do planeta.

Tomando como inspiração a Encíclica ‘Laudato Sí’ do Papa Francisco, esta rede quer incentivar “uma efetiva conversão ecológica”, com vista a uma “ecologia integral”.

Citando Manuela Silva da Fundação Betânia, uma das promotoras desta iniciativa, a Agência Ecclesia informa ainda que esta rede quer “lançar uma nova dinâmica no sentido de consciencializar e mobilizar as comunidades eclesiais” para os assuntos ecológicos fomentando uma “cultura cívica de responsabilização e cuidado pela casa comum”.

Para atingir estes objetivos a rede “Cuidar da Casa Comum” atuará em consonância com a Conferência Episcopal Portuguesa, em ligação com a Comissão Episcopal do Laicado e Família e pretende “incentivar a reflexão sobre estilos de vida pessoal e coletiva, partilhar testemunhos de gestos e comportamentos de ecologia integral, fazer pontes com iniciativas relevantes que ocorram no espaço eclesial e na sociedade civil” – revela a Agência Ecclesia.

Recordemos que o Santo Padre na sua Encíclica ‘Laudato Si’ sublinha que se deve investir na formação para uma ecologia integral, para compreender que o ambiente é um dom de Deus, uma herança comum que se deve administrar e não destruir.

Ainda este ano o Papa Francisco e o Patriarca Ecuménico Bartolomeu na Mensagem Conjunta que assinaram para o Dia Mundial de Oração pela Criação, que se celebrou a 1 de setembro, dirigem-se a todos aqueles que “ocupam uma posição de relevo em âmbito social, económico, político e cultural” pedindo um “consenso global” sobre o planeta.

Nesse texto afirmam estarem “convencidos de que não poderá haver uma solução genuína e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao serviço”.

Francisco e Bartolomeu propõem ainda na sua mensagem “estilos de vida” mais simples e solidários.

(RS)

Moçambique: Polícia decreta “tolerância zero” à desordem na quadra festiva

A poucos dias da celebração do Natal e da passagem do ano, o Comandante da Polícia, ao nível da cidade de Maputo, Fabião Nhanculolo, declarou tolerância zero a todos àqueles que praticarem actos de vandalismo e qualquer outro acto que perturbe a ordem e tranquilidade públicas.

Falando durante a formatura no Comando da Cidade, Fabião Nhanculolo chamou à consciência todas forças vivas da sociedade, a denunciarem quaisquer actos que atentem contra a segurança pública.

Lançada “operação quadra festiva”

Estiveram no lançamento da “operação quadra festiva”, a direcção de Transportes e Comunicações da cidade de Maputo, direcção de Saúde, Serviço Nacional de Salvação Pública, Polícia Municipal, associações dos transportadores rodoviários, entre outros.

Polícia lança apelo aos atacantes de Mocímboa Praia

Entretanto, dois meses depois dos primeiros ataques que sacudiram a vila e o distrito de Mocímboa da Praia, a Polícia decretou um prazo de sete dias para os atacantes se entregarem às autoridades. Caso contrário, os insurgentes serão declarados terroristas.

O aviso foi dado esta quinta-feira pelo comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael, durante um comício popular que orientou na vila municipal de Mocímboa da Praia. Este apelo acontece um dia depois de o comandante-geral da Policia ter participado como facilitador no contacto telefónico entre o Presidente da República e o líder da Renamo, havido esta semana.

Detidos 251 insurgentes

De salientar que desde os primeiros ataques de 5 de Outubro findo, a Polícia moçambicana já deteve 251 suspeitos, dos quais 37 têm a nacionalidade tanzaniana. Alias, o único suspeito apresentado no comício é um jovem oriundo da Tanzânia.

O Comandante-geral da Polícia exortou a população de Mocímboa da Praia a denunciar todos os suspeitos de envolvimento nos ataques que já se alastraram para Palma, distrito que faz limite com Mocímboa da Praia. O comandante-geral fez lembrar aos presentes que a maioria dos atacantes detidos é nacional.

 “São nossos filhos, são nossos irmãos, são nossos familiares, mas devemos denunciá-los à Polícia. Liguem para eles e informem que têm sete dias para se entregarem. Se o prazo de sete dias passar sem eles se entregarem, serão combatidos até ao último terrorista”, afirmou o comandante-geral da Polícia da Republica de Moçambique.

Hermínio José, Maputo

JRS Portugal: “Europa não pode virar costas aos refugiados”

O apelo é do diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados-Portugal, a propósito da dramática situação em que se encontram os refugiados nas ilhas gregas.

O JRS, a Cáritas Portuguesa e a Amnistia Internacional enviaram esta semana uma carta ao 1º Ministro português para pedir apoio ao “fim da política de confinamento” de requerentes de asilo nas ilhas gregas.

A carta surge na sequência de uma campanha lançada por 12 organizações humanitárias europeias congéneres que apelaram ao fim desta política de confinamento e à transferência imediata dos requerentes de asilo para o continente, em cartas enviadas ao primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e aos embaixadores dos Estados-Membros da UE, na Grécia.

Em causa está a situação de cerca de 15 mil pessoas, 12 mil das quais alojadas em estruturas com capacidade máxima para o acolhimento de 5 mil pessoas.

“Esta situação não pode cair no esquecimento, quer dizer, as autoridades gregas não podem virar as costas” a estas pessoas, diz André Costa Jorge à Rádio Vaticano.

Trata-se de condições de sobrelotação inaceitáveis, não podemos confinar as pessoas e colocá-las em lugares onde não há condições próprias de subsistência”, sublinha o diretor da JRS Portugal.

“Não podemos ficar reféns do fecho de fronteiras, de posições securitárias que visam apenas criminalizar as migrações”, reafirma André Costa Jorge que reforça a ideia de que “é preciso continuar a apoiar aquilo que é o lado certo da História”.

Em entrevista ao nosso correspondente Domingos Pinto, o diretor do JRS Portugal destaca ainda o papel do Papa Francisco “uma voz em favor de uma cultura da hospitalidade, uma cultura que não cede às visões meramente materialistas e economicistas”.

Concerto no Vaticano. Papa: seja ocasião para semear ternura e acolhimento

“Queridos irmãos e irmãs, vos acolho neste encontro que me permite exprimir a minha apreciação pela participação no concerto ‘Natal no Vaticano’, cujo produto será doado para financiar dois projectos em favor das crianças da República Democrática do Congo e dos jovens da Argentina”.

Assim iniciou o Papa Francisco, na manhã desta sexta-feira (15/12) na Sala Clementina, o seu discurso aos cerca de 180 artistas que amanhã à noite se exibirão na Sala Paulo VI para o “Concerto de Natal 2017”.

Francisco agradeceu em seguida os promotores do evento e todos os que vão participar, dizendo que deste modo manifestam sensibilidade às necessidades dos mais indigentes e desfavorecidos que pedem ajuda e solidariedade.

O Natal é uma festa sentida, participada, capaz de aquecer os corações mais frios, de remover as barreiras da indiferença para com o próximo, de encorajar a abertura aos outros e ao dom gratuito, sublinhou ainda o Santo Padre:

“Por isso é preciso difundir mesmo hoje a mensagem de paz e fraternidade própria do Natal; é necessário representar este acontecimento exprimindo os sentimentos autênticos que o animam. E a arte é um meio formidável para abrir as portas da mente e do coração ao verdadeiro significado do Natal”.

A criatividade e a genialidade dos artistas, com as suas obras, e mesmo com a música e o canto, conseguem alcançar os registros mais íntimos da consciência, ressaltou o Pontífice, formulando os melhores votos para que o Concerto de Natal no Vaticano possa ser uma ocasião para semear a ternura, a paz e o acolhimento, que brotam da gruta de Belém.

“Renovo a cada um a minha gratidão e, enquanto faço os meus cordiais votos de serenas Festividades natalícias, cheias de alegria e paz, a todos vós, às vossas famílias e entes queridos, dou a minha bênção” – terminou dizendo Francisco.

 

Pregação do Adneto: Cristo deve estar no centro da nossa vida

O Papa Francisco e seus colaboradores participaram na manhã desta sexta-feira (15/12) na Capela Redemptoris Mater do Vaticano, da primeira pregação do Advento 2017, feita pelo pelo pregador oficial do Vaticano, o capuchinho Padre Raniero Cantalamessa, sobre o tema "Tudo foi criado por Ele e para Ele; Cristo e a criação”.

As meditações do Advento deste ano têm como proposta recolocar a pessoa divina-humana de Cristo no centro dos dois grandes componentes que, em conjunto, constituem "o real", isto é: o cosmos e a história, o espaço e o tempo, a criação e o homem. O objectivo final é colocar Cristo "no centro" da nossa vida pessoal e da nossa visão do mundo, no centro das três virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade.

Como primeira meditação, o Padre Cantalamessa sugeriu a reflexão sobre o relacionamento entre Cristo e o cosmos. "No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas" (Gn 1, 1-2). Segundo ele, esta relação, entre criação e encarnação está bem expressa no Livro do Génesis e na encíclica Laudato si’.

“É uma questão de saber qual lugar ocupa a pessoa de Cristo em todo o universo”, afirmou, questionando: “Existe, então, algo que nos permita escapar do perigo de fazer de Cristo "um intruso ou uma pessoa deslocada na esmagadora e hostil imensidão do Universo"? Por outras palavras, Cristo tem algo a dizer sobre o problema urgente da ecologia e da salvaguarda da criação, ou isso é totalmente marginal a Ele, como um problema que afecta quando muito a teologia, mas não a cristologia?

O Espírito Santo é a força misteriosa que impele a criação para a sua realização. Ele que é “o princípio da criação das coisas”, é também o princípio da sua evolução no tempo. Na verdade, isso não é outra coisa senão a criação que continua, ou seja, o Espírito Santo é aquele que, por sua natureza, tende a fazer a criação passar do caos ao cosmos, a fazer disso algo bonito, limpo: um "mundo" precisamente, de acordo com o significado original desta palavra.

Como todas as coisas, também o cuidado da criação tem dois níveis: o nível global e o nível local. Um slogan moderno convida a pensar globalmente, mas agir localmente: Think globally, act locally. Isso quer dizer que a conversão deve começar do indivíduo, isto é, de cada um de nós. Francisco de Assis costumava dizer aos seus frades: "Nunca fui um ladrão de esmolas, pedindo-as ou usando-as além da necessidade. Peguei sempre menos do que eu precisava, para que os outros pobres não fossem privados da sua parte; porque, de outra forma, seria roubar".

Hoje esta regra poderia ter uma aplicação muito útil para o futuro da Terra. Também nós devemos propor-nos: não ser ladrões de recursos, usando-os mais do que o necessário e retirando-os, assim, daqueles que virão depois de nós. Em primeiro lugar, nós que trabalhamos normalmente com o papel, poderíamos tentar não contribuir com o desperdício enorme e desconsiderado que é feito desta matéria-prima, privando assim a mãe terra de uma árvore menos.

O Natal é um forte chamamento a esta sobriedade e parcimónia no uso das coisas. Quem nos dá o exemplo é o próprio Criador que, tornando-se homem, se satisfez com um estábulo para nascer. ..”

Todos nós, crentes e não-crentes, somos chamados a comprometer-nos com o ideal da sobriedade e do respeito pela criação, mas nós, cristãos, devemos fazê-lo por uma razão e com uma intenção a mais e diferente. Se o Pai Celestial fez tudo "por meio de Cristo e em vista de Cristo", também nós devemos tentar fazer tudo assim: "por meio de Cristo e em vista de Cristo", isto é, com a sua graça e para a sua glória – concluiu Frei Cantalamessa.

Portugal: Presidente Marcelo recebeu “Convenção dos Direitos da Criança”

Foi uma das prendas que o Presidente da República recebeu no passado dia 11, de um grupo de crianças da UNICEF Portugal.

Uma iniciativa no Dia Internacional da UNICEF, a organização das Nações Unidas para a Infância.

No Palácio de Belém, as crianças entregaram ao Chefe de Estado um desenho em papel de cenário sobre a Convenção dos Direitos da Criança, e um livro em que testemunham os seus direitos, ilustrando, por exemplo, "porque é que é importante ter uma família, ter um nome, ser amado".

O Presidente da República, que recebeu também o Relatório “State of the World’s Children 2017: Children in a digital world”, acompanhou depois os mais novos numa visita aos jardins do Palácio tendo, no Pátio dos Bichos, explicado o significado da “Árvore da Esperança” que agora ali se encontra.

A árvore, recolhida em Pedrógão Grande após os incêndios, está virada ao contrário, os troncos ardidos representam as raízes de uma nova árvore, no cimo da qual foi enxertada vida através de um pequeno pinheiro, simbolizando a esperança de que Portugal tenha um 2018 mais verde.

"É uma árvore que veio do sítio onde arderam muitas, muitas árvores", explicou o Presidente da República, sublinhando que pretende "mostrar que depois da morte aparece a vida".

Uma visita que a diretora-executiva da UNICEF Portugal considera ser "um testemunho de um grupo de crianças portuguesas sobre como vivem os direitos e qual é o significado que eles têm”.

Em entrevista à Rádio Vaticano, Beatriz Imperatori dá um retrato da instituição no país, onde têm “cerca de 100 mil amigos que contribuem regularmente para todos os programas internacionais”.

“É importante não deixar ninguém para trás e ajudar que todas as crianças concretizem o seu potencial”, diz Beatriz Imperatori que destaca dois grandes projetos da UNICEF Portugal: A incitativa “«Hospitais Amigos dos Bebés» para a promoção do aleitamento materno”, e “as «Cidades Amigas das Crianças» onde se promove a visão da criança com uma voz própria”.

De Lisboa, a reportagem com o nosso correspondente Domingos Pinto.

Angola. Presidente João Lourenço contra a corrupção

Os angolanos que têm fortunas no exterior devem repatriar esse capital a partir do início do próximo ano (2018), a fim de investirem no país, sob pena de verem o dinheiro confiscado pelo Estado angolano.

O alerta foi lançado nesta quarta-feira (13/12) pelo Presidente da República, João Lourenço, que falava na condição de vice-presidente do MPLA (partido governante em Angola), no encerramento do seminário sobre os crimes a que os titulares de cargos públicos estão sujeitos.

Quem proceder dessa forma, segundo o estadista, não será interrogado das razões de ter tido o dinheiro lá fora, nem processado judicialmente.

João Lourenço espera também que desta vez, finalmente, e ao cabo de muitos anos de indefinição, o Parlamento exerça de facto a sua função fiscalizadora do Executivo, nos termos previstos na Constituição e na Lei.

"O combate a corrupção não deve ser confundido como perseguição aos ricos ou as famílias abastadas" completou João Lourenço;  

E as reacções ao discurso de João Lourenço não se fizeram esperar, Raul Danda, vice-presidente da UNITA (segunda maior força politica do país) disse que a ideia é boa e os angolanos aguardam pela concretização do anúncio;

E o vice-presidente da CASA - CE (terceira maior força politica do país) Manuel Fernandes realçou que esta acção não deve ser vista como "caça as bruxas" e disse ser necessário que os valores repatriados venham potenciar a economia nacional;

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Massano Júnior confirmou a existência de cerca de 30 mil milhões de dólares americanos de entidades angolanas, depositados fora do país, e disse que o dinheiro é lícito;

De Luanda para a Rádio Vaticano, Anastácio Sasembele, paz e bem. 

Evangelho do II Domingo do Advento (Mc. 1, 1-8)

Ouça aqui,

O comentário ao Evangelho do II Domingo do Advento (Mc. 1, 1-8), num diálogo entre Filomeno Lopes e Bernardo Suate:

Sentido cristão de filhos e não de escravos, fez do domingo dia de repouso

Na audiência geral desta quarta-feira, o Papa Francisco retomou a sua série de catequeses sobre o significado da Missa. Concentrou-se desta vez sobre a pergunta: “porque ir à missa aos domingos?” . E a resposta foi: vamos à missa aos domingos para “encontrar o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele, ouvir a sua palavra, nutrir-nos à sua mesa e, assim tornarmo-nos Igreja, ou seja Corpo místico de Cristo vivo hoje no mundo”.

Os discípulos de Cristo  - disse o Papa – compreenderam isto e desde o início celebraram o encontro com Cristo na Eucaristia no primeiro dia da semana, domingo, dia em que se deu também a efusão do Espírito Santo. Por isso, o domingo é dia Santo para os cristãos, santificado pela presença viva do Senhor entre nós e para nós.

É, portanto a Missa que faz o domingo cristão! Que domingo é, então, para um cristão que falta ao encontro com o Senhor?”

O Papa recordou que existem hoje, infelizmente, comunidades cristãs que não podem ter a Missa todos os domingos. Contudo, elas também neste dia santo, são chamados a recolher-se em oração em nome do Senhor, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia.

Outras sociedades secularizadas, fez ainda notar o Papa, perderam o sentido cristão do domingo, iluminado pela Eucaristia. Isto – disse – é pecado!

Neste contexto é necessário reavivar a consciência  para recuperar o significado da festa, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade, do repouso que restaura a alma e o corpo. De todos estes valores é mestra a Eucaristia, domingo pós domingo.  Por isso, o Concilio Vaticano II quis sublinhar que “o domingo é dia festa primordial que deve ser proposto e inculcado à piedade dos fiéis, por forma a se tornar também um dia de alegria e de abstenção do trabalho”.

A abstenção do trabalho aos domingos, não existia nos primeiros séculos – frisou Francisco, dizendo que isto é uma contribuição específica do cristianismo. Foi o sentido cristão do viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, que fez do domingo – quase universalmente – dia de repouso.

Sem Cristo, somos condenados a ser dominados pela canseira do quotidiano com as suas preocupações e pelo medo do amanhã. O encontro dominical com o Senhor dá-nos a força de viver o hoje com confiança e coragem e de ir para frente com esperança. Por isso, nós cristãos vamos ao encontro do Senhor aos domingos, na celebração eucarística.”

A comunhão eucarística com Jesus, Ressuscitado e vivo em eterno, antecipa o tempo da alegria plena e para sempre no Senhor – sublinhou o papa,  acrescentando que a Missa nos fala também deste “beato repouso” ao confiar-nos quotidianamente às mão do Pai que está nos céus.

Que responder então a quem nos diz que não serve ir à missa nem sequer aos domingos, porque o importante é viver bem, amar o próximo? – desafiou Francisco – que ajudou a encontrar a resposta.

É verdade que a qualidade da vida cristã se mede pela capacidade de amar (…) mas como podemos praticar o Evangelho sem tirar dele a energia necessária para o fazer, domingo pós domingo, sem ir à fonte inexaurível da Eucaristia? Não vamos à missa para dar algo a Deus, mas para receber dele aquilo de que precisamos realmente”.

A concluir o Papa esclareceu ainda que devemos ir à missa aos domingos, não apenas porque é um preceito da Igreja, mas porque é só com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, que podemos pôr em prática o seu mandamento, e assim ser testemunhos credíveis. 

Eis a saudação do Papa aos peregrinos de lingua portuguesa: 

"Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, convidando todos a permanecer fiéis ao encontro dominical com Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja".

(DA)

Celebrações litúrgicas com Papa Francisco no Tempo de Natal

O Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e a Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgaram esta terça-feira (12/12) o calendário das celebrações litúrgicas presididas pelo Papa Francisco no Tempo de Natal.

Domingo 24 de dezembro, às 21h30min, a Missa da Solenidade do Natal na Basílica de São Pedro.

Segunda-feira, dia 25, Festa do Natal: às 12 horas o Papa dirige da sacada central da Basílica de São Pedro sua mensagem de Natal ao mundo e concede a Bênção Urbi et Orbi.

No domingo 31 de dezembro, às 17 horas, o Papa preside na Basílica de São Pedro as Primeiras Vésperas, com a exposição do Santíssimo Sacramento, o tradicional canto do Te Deum em agradecimento pelo ano que termina e a bênção eucarística.

Na segunda-feira, 1º de janeiro de 2018, às 10 horas, o Papa preside a Santa Missa na Basílica de São Pedro na Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus e no 51º Dia Mundial da Paz sobre o tema “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”.

Por fim no sábado, 6 de janeiro, Solenidade da Epifania, o Papa preside à celebração da Santa Missa às 10 horas na Basílica de São Pedro.

Todas as cerimónias serão transmitidas pela Rádio Vaticano, com comentários em português

Papa: defendamos a ‘diversidade’ dos povos latino-americanos

O Papa Francisco presidiu a celebração eucarística, na Basílica de São Pedro, na tarde desta terça-feira (12/12), festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

A homilia do Pontífice baseou-se em dois grandes cânticos: o cântico de Maria, conhecido como «Magnificat», e o cântico de Zacarias, «Benedictus», que Francisco gosta de chamar de “o cântico de Isabel ou da fecundidade”.

“Milhões de cristãos no mundo começam o dia cantado: «Bendito seja o Senhor» e terminam o dia «proclamando a sua grandeza porque olhou com bondade para a pequenez do seu povo”, disse o Papa.

Esterelidade

“Deste modo, os fiéis de diferentes povos, procuram, todos os dias, fazer memória; recordar que de geração em geração, a misericórdia de Deus se estende sobre todo o povo como havia prometido aos nossos pais. Nesse contexto de memória agradecida, nasce o canto de Isabel em forma de pergunta: «Quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha me visitar?» Encontramos Isabel, mulher marcada pelo sinal da esterilidade, cantando sob o signo da fecundidade e da admiração.”

A propósito da esterilidade de Isabel, Francisco nos convidou a imaginar, por um instante, “o olhar de seus familiares, de seus vizinhos, de si mesma. Esterilidade que se aprofunda e acaba paralisando toda a vida. Esterilidade que pode ter muitos nomes e formas sempre que uma pessoa sente na própria pele a vergonha de ser estigmatizada ou se sente pequena”.

O mesmo podemos imaginar para o índio Juan Diego quando ele diz a Maria: “Eu realmente não valho nada, sou um «mecapal, cacaxtle, cauda, asa, necessitado de ser conduzido e carregado nos ombros»”.

Riqueza dos povos da América Latina e Caraíbas

Segundo o Papa, “esse sentimento pode estar presente também nas nossas comunidades indígenas e afrodescendentes, que muitas vezes não são tratadas com dignidade e igualdade de condições”, conforme relatos dos bispos latino-americanos, “ou nas muitas mulheres, que são excluídas por razão de género, raça ou situação socioeconómica; nos jovens, que recebem uma educação de baixa qualidade e não têm oportunidades para progredir nos seus estudos e nem de entrar no mercado de trabalho para se desenvolver e construir uma família, nos muitos pobres, desempregados, migrantes, deslocados, agricultores sem terra que procuram sobreviver na economia informal; nas crianças submetidas à prostituição infantil, muitas vezes ligada ao turismo sexual”.

O Papa disse ainda que “no meio dessa dialéctica de fecundidade e esterilidade, devemos olhar a riqueza e a diversidade cultural dos nossos povos da América Latina e Caraíbas, sinal da grande riqueza que somos chamados não somente a cultivar, mas também, especialmente no nosso tempo, defender corajosamente de todas as tentativas de homogeneização que acabam impondo, sob slogans atraentes, uma maneira única de pensar, de ser, de sentir, de viver, que acabam por tornar inválido ou estéril tudo o que foi herdado dos nossos pais; que acabam por fazer com que os nossos jovens se sentam coisa pequena por pertencerem a essa ou aquela cultura. A nossa fertilidade exige que defendamos os nossos povos indígenas, afro-americanos, mestiços, camponeses ou suburbanos, de uma colonização ideológica que cancela o que há de mais rico neles”.

Camarões: Hospital diocesano se autofinancia com contribuições modestas

Quatro médicos permanentes, 26 entre enfermeiros e técnicos de radiologia e laboratório, 1.200 doentes atendidos mensalmente. É o hospital diocesano de Touloum, no extremo norte dos Camarões. Uma realidade que nasceu em 2011, com a contribuição ao longo dos anos do PIME, da Conferência Episcopal Italiana, de doações voluntárias e, sobretudo, com o empenho incessante da Caritas da diocese de Yagoua, coordenada pelo Irmão Fabio Mussi, missionário leigo do PIME.

O hospital conta com cinco departamentos operacionais, diz o Irmão Fabio: o do acolhimento, que por estes dias se está a desdobrar em pronto socorro e continua a ser "determinante" pela assistência que presta aos pacientes dos Camarões, mas também do vizinho Chade; o departamento da cirurgia, que acolhe "pacientes mais urgentes" para operações que vão de uma comum apendicite a intervenções ortopédicas, já que "ainda não temos especialistas"; o da ginecologia e maternidade e o da medicina geral; finalmente, o departamento da radiologia, fundamental "porque na área os outros hospitais têm muito mais dificuldades em fazer funcionar o equipamento electrónico.

O "desafio" dos últimos tempos é o Tac, cujo equipamento está já disponível há três anos. Um dos problemas para o funcionamento foi o da grande quantidade de energia eléctrica necessária, problema superado com um sistema fotovoltaico – que, aliás, também serve todo o hospital - e a ajuda de técnicos especializados. Um outro grande obstáculo foi que, no momento da activação, "demo-nos conta - diz quase sorrindo o Irmão Fabio - que, entretanto, a instalação tinha sido danificada por alguns roedores, que haviam comido a fibra óptica”.

Mas o Irmão Fabio não desiste. Concentra-se nos recursos do hospital, que se autofinancia através da contribuição dos doentes, mesmo que paguem, pelos serviços recebidos, "montantes modestos": um exame médico custa o equivalente a "um euro e meio". Um valor que espanta, mas talvez o que mais surpreende é a força deste missionário que trabalha nos Camarões desde 2009, numa região onde ainda é grave a emergência humanitária ligada à violência causada pelas acções terroristas dos extremistas nigerianos do Boko Haram.

A situação permanece ainda "muito tensa", porque os milicianos "semeiam minas ao longo das estradas e caminhos para impedir que os militares os controlem ou para tornar a área insegura, para o transporte de pessoas e bens". E depois não acabam os "sequestros direccionados quer de pessoas adultas, quer de crianças ou adolescentes, para destiná-los também a operações de guerra". Mesmo os missionários, enquanto estrangeiros, permanecem "na mira" e, por isso, são "forçados a circular com escoltas armadas, por precaução". Mas, assegura o Irmão Fabio, a sua missão "é estar ao lado das pessoas que sofrem e vivem naquela área: nós nos sentimos como cristãos e irmãos desta gente, o nosso lugar está ao seu lado”.

Portugal: Fórum sobre a Pobreza em março 2018

A noticia foi avançada em exclusivo à Rádio Vaticano pelo Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal, no final de uma audiência com o Presidente República.

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu no Palácio de Belém na tarde de 2ª feira, 11, uma delegação da EAPN-Portugal com cerca de 30 pessoas.

Uma iniciativa, no contexto do Dia dos Direitos Humanos (10 de dezembro), para fazer “o ponto da situação sobre a pobreza e o trabalho que está a ser feito”, diz o Padre Jardim Moreira.

“Preparámos um fórum em conjunto para o próximo ano e houve aqui uma co-responsabilidade dele connosco de trabalhar em articulação no sentido de fazer uma estratégia nacional”, sublinha o padre Jardim Moreira que aponta para março de 2018 a realização desta iniciativa.

Sobre a situação da pobreza em Portugal, o padre Jardim Moreira diz que “não é fácil, ainda que o emprego tenha facilitado para muitos uma certa capacidade de elevar a vida social e familiar”.

“A austeridade não acabou. O que neste momento acabou foi uma forma de olhar os problemas, e portanto, de  tornar a pobreza, não uma imposição que parecia obrigatória, mas ela continua a ser através dos impostos, e as pessoas continuam a não ter grande saída”.

Em entrevista ao nosso correspondente Domingos Pinto, o presidente da EAPN-Portugal considera que “é necessário alimentar nas pessoas a auto-estima, a capacidade de desenvolvimento e a esperança de poderem lutar por uma sociedade onde possam integrar-se”.

Mensagem do XXVI Dia Mundial do Doente: texto integral

Cidade do Vaticano (RV) - Foi publicada hoje a mensagem do Papa Francisco para o XXVI Dia Mundial do Doente. Eis na íntegra, o texto do Papa:

Mater Ecclesiae: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!”

E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua»(Jo 19, 26-27)

Queridos irmãos e irmãs!

O serviço da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar, com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (cf. Lc 9, 2-6, Mt 10, 1-8; Mc 6, 7-13) e seguindo o exemplo muito eloquente do seu Fundador e Mestre.

Este ano, o tema do Dia do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).

1.     Estas palavras do Senhor iluminam profundamente o mistério da Cruz. Esta não representa uma tragédia sem esperança, mas o lugar onde Jesus mostra a sua glória e deixa amorosamente as suas últimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade cristã e da vida de cada discípulo.

Em primeiro lugar, as palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. Será, de uma forma particular, a mãe dos discípulos do seu Filho e cuidará deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspetos materiais como os espirituais da sua educação.

O sofrimento indescritível da cruz trespassa a alma de Maria (cf. Lc 2, 35), mas não a paralisa. Pelo contrário, lá começa para Ela um novo caminho de doação, como Mãe do Senhor. Na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria é chamada a partilhar esta mesma preocupação. Os Atos dos Apóstolos, ao descrever a grande efusão do Espírito Santo no Pentecostes, mostram-nos que Maria começou a desempenhar a sua tarefa na primeira comunidade da Igreja. Uma tarefa que não mais terá fim.

2.     O discípulo João, o amado, representa a Igreja, povo messiânico. Ele deve reconhecer Maria como sua própria mãe. E, neste reconhecimento, é chamado a recebê-La, contemplar n’Ela o modelo do discipulado e também a vocação materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupações e os projetos que isso implica: a Mãe que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a vocação materna de Maria, a vocação de cuidar dos seus filhos, passa para João e toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos fica envolvida na vocação materna de Maria.

3.     João, como discípulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer conduzir todos os homens ao encontro do Pai. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (cf. Jo 8, 31-39), e doentes no corpo (cf. Jo 5, 6). A todos, concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas. Como Maria, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros; mas não só: eles sabem que o Coração de Jesus está aberto a todos, sem exclusão. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus.

4.     Esta vocação materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes concretizou-se, ao longo da sua história bimilenária, numa série riquíssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta história de dedicação não deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Nos países onde existem sistemas de saúde pública suficientes, o trabalho das congregações católicas, das dioceses e dos seus hospitais, além de fornecer cuidados médicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terapêutico e desenvolve a pesquisa científica no respeito da vida e dos valores morais cristãos. Nos países onde os sistemas de saúde são insuficientes ou inexistentes, a Igreja esforça-se por oferecer às pessoas o máximo possível de cuidados da saúde, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado, ela procura cuidar, mesmo quando não é capaz de curar. A imagem da Igreja como «hospital de campo», acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população.

5.     A memória da longa história de serviço aos doentes é motivo de alegria para a comunidade cristã e, de modo particular, para aqueles que atualmente desempenham esse serviço. Mas é preciso olhar o passado sobretudo para com ele nos enriquecermos. Dele devemos aprender: a generosidade até ao sacrifício total de muitos fundadores de institutos ao serviço dos enfermos; a criatividade, sugerida pela caridade, de muitas iniciativas empreendidas ao longo dos séculos; o empenho na pesquisa científica, para oferecer aos doentes cuidados inovadores e fiáveis. Esta herança do passado ajuda a projetar bem o futuro. Por exemplo, a preservar os hospitais católicos do risco duma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres. Ao contrário, a inteligência organizativa e a caridade exigem que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento. Estas orientações devem ser assumidas também pelos cristãos que trabalham nas estruturas públicas, onde são chamados a dar, através do seu serviço, bom testemunho do Evangelho.

6.     Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar: «Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: (...) hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc 16, 17.18). Nos Atos dos Apóstolos, lemos a descrição das curas realizadas por Pedro (cf. At 3, 4-8) e por Paulo (cf. At 14, 8-11). Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor. A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas. Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um.

7.     A Maria, Mãe da ternura, queremos confiar todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. A Ela pedimos também que nos ajude a ser acolhedores para com os irmãos enfermos. A Igreja sabe que precisa duma graça especial para conseguir fazer frente ao seu serviço evangélico de cuidar dos doentes. Por isso, unamo-nos todos numa súplica insistente elevada à Mãe do Senhor, para que cada membro da Igreja viva com amor a vocação ao serviço da vida e da saúde. A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunhão com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas. A todos, doentes, agentes de saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 26 de novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – de 2017.

Franciscus

Papa: mensagem para o XXVI Dia Mundial do Doente

Cidade do vaticano (RV) – Foi publicada hoje, segunda-feira, dia 11 de Dezembro, 2017, a mensagem do Papa Francisco para o XXVI Dia Mundial do Doente.

Este ano, afirma o Papa na mensagem, o tema do Dia do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).

 

Estas palavras do Senhor, sublinha o Papa, iluminam profundamente o mistério da Cruz. Esta não representa uma tragédia sem esperança, mas o lugar onde Jesus mostra a sua glória e deixa amorosamente as suas últimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade cristã e da vida de cada discípulo.

Em primeiro lugar, acrescenta o Santo Padre, as palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. Será, de uma forma particular, a mãe dos discípulos do seu Filho e cuidará deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspectos materiais como os espirituais da sua educação. E de facto, observa Francisco, na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria é chamada a partilhar esta mesma preocupação.

Em segundo lugar, sublinha ainda o Santo Padre, o discípulo João, o amado, representa a Igreja, povo messiânico. Ele deve reconhecer Maria como sua própria mãe. E, neste reconhecimento, é chamado a recebê-La, contemplar n’Ela o modelo do discipulado e também a vocação materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupações e os projetos que isso implica: a Mãe que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a vocação materna de Maria, a vocação de cuidar dos seus filhos, passa para João e toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos fica envolvida na vocação materna de Maria.

Em terceiro lugar, diz o Papa, João, como discípulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer conduzir todos os homens ao encontro do Pai. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (cf. Jo 8, 31-39), e doentes no corpo (cf. Jo 5, 6). A todos, concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas. Como Maria, recorda o Papa, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros; mas não só: eles sabem que o Coração de Jesus está aberto a todos, sem exclusão. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus.

Finalmente, observa Francisco, esta vocação materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes concretizou-se, ao longo da sua história bimilenária, numa série riquíssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta história de dedicação não deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Daí que, para o Papa, a memória da longa história de serviço aos doentes é motivo de alegria para a comunidade cristã e, de modo particular, para aqueles que actualmente desempenham esse serviço.

Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar: «Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: (...) hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc 16, 17.18).

E o Santo Padre conclui a mensagem, confiando a      A Maria, Mãe da ternura, todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. A Ela pedimos também, disse, que nos ajude a ser acolhedores para com os irmãos enfermos.

 

Pela paz em Jerusalém e no Médio Oriente

Donald Trump decidiu mudar a embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Desde 1995 que essa medida estava preparada mas nunca tinha sido oficializada por nenhum presidente dos EUA.

O Papa Francisco reagiu logo na quarta-feira dia 6 de dezembro apelando ao respeito pelas resoluções das Nações Unidas. Nesta edição da nossa rubrica “Sal da Terra, Luz do Mundo” refletimos sobre a situação em Jerusalém e no Médio Oriente e registamos a preocupação do Santo Padre com a paz.

Donald Trump decidiu na quarta-feira dia 6 de dezembro assumir a mudança da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O presidente norte-americano refere que esta decisão irá “contribuir para melhorar o processo de paz entre Israel e a Palestina”.

Numa declaração oficial proferida na Casa Branca, Trump afirmou que “Jerusalém é a capital de Israel”. A partir de agora será iniciado o processo de transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém. Recorde-se que os palestinianos também querem que Jerusalém seja a sua capital.

Não se fizeram esperar as reações no mundo político internacional. As manifestações sucedem-se e já há vítimas a lamentar. No passado domingo dia 10 de dezembro a Sala de Imprensa da Santa Sé difundiu um comunicado no qual se pode ler que “ao manifestar a sua dor pelos confrontos que nos últimos dias provocaram vítimas, o Santo Padre renova o seu apelo à sabedoria e à prudência de todos e eleva orações para que os responsáveis das nações, neste momento de particular gravidade, se empenhem em evitar uma nova espiral de violência”.

O Papa Francisco foi dos primeiros a pronunciar-se na semana passada. Logo na audiência geral de quarta-feira dia 6 de dezembro o Santo Padre revelou a sua preocupação com esta situação:

“O meu pensamento vai para Jerusalém. Não posso silenciar a minha profunda preocupação pela situação que se criou nos últimos dias e, ao mesmo tempo, dirigir um forte apelo para que seja compromisso de todos respeitar o status quo da cidade, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas.”

“Jerusalém é uma cidade única, sagrada para os judeus, os cristãos e os muçulmanos, que nela veneram os Lugares Santos das respetivas religiões, e tem uma vocação especial para a paz.”

“Peço ao Senhor que esta identidade seja preservada e reforçada em benefício da Terra Santa, do Médio Oriente e do mundo inteiro e que prevaleçam sabedoria e prudência, para evitar acrescentar novos elementos de tensão num panorama mundial já turbulento e marcado por tantos e cruéis conflitos.”

Já no verão deste ano de 2017, no dia 23 de julho, XVI Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco logo após a oração mariana do Angelus apelou para o fim da violência em Jerusalém pedindo moderação e diálogo.

Nessa mensagem o Santo Padre referiu-se ao clima de tensão que percorreu durante algumas semanas o Médio Oriente provocando mortos e feridos palestinianos e israelitas. Tudo tinha tido início após o assassinato de dois polícias israelitas no dia 14 de julho de 2017.

Referindo-se aos confrontos entre palestinianos e a polícia israelita, o Santo Padre pediu, nessa ocasião, a todos “propósitos de reconciliação e de paz”:

“Acompanho com preocupação as graves tensões e as violências destes dias em Jerusalém. Sinto a necessidade de expressar um premente apelo à moderação e ao diálogo. Convido-vos a unirem-se a mim na oração, para que o Senhor inspire em todos, propósitos de reconciliação e de paz” – disse o Papa.

Precisamente, na quarta-feira dia 6 de dezembro, Francisco recebeu, antes da audiência geral, na salinha junto à Sala Paulo VI, vinte participantes na reunião do Comissão permanente para o Diálogo com as personalidades religiosas da Palestina.

O Santo Padre sublinhou a alegria que é para a Igreja construir pontes de diálogo, em particular, neste caso, com personalidades religiosas e intelectuais palestinianas.

Declarando ser a Terra Santa para os cristãos a terra por excelência “do diálogo entre Deus e a humanidade”, Francisco afirmou estar “consciente da atenção que as Autoridades do Estado da Palestina, em particular, o Presidente Mahmoud Abbas, têm para com a comunidade cristã, reconhecendo o seu lugar e o seu papel na sociedade palestiniana” – disse o Papa.

Após a declaração de Donald Trump a apreensão em relação a uma possível escalada de violência na Cidade Santa de Jerusalém aumentou e teme-se o pior. Têm-se multiplicado os protestos no Médio Oriente e não só.

Uma das primeiras reações registadas pela Rádio Vaticano sobre esta decisão do Presidente Trump foi a do Observador Permanente Emérito da Santa Sé na ONU, em Genebra, D. Silvano Maria Tomasi, que é membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. A reportagem é do jornalista Mário Galgano:

“A posição da Santa Sé sempre foi aquela apoiada legalmente pelas Nações Unidas, ou seja, dois Estados independentes que respeitem mutuamente os seus direitos. Um Estado hebraico e um palestiniano. Jerusalém deve permanecer acessível às três grandes religiões abraâmicas: cristãos, muçulmanos e judeus. Dizer que Jerusalém é a capital somente de Israel, com as consequências jurídicas que poderiam surgir, complicaria certamente essa posição que desde sempre foi apoiada pelas Nações Unidas e também pela Santa Sé.”

“Eu diria que é preciso encontrar uma linha política não de divisão, mas de convergência de esforços para garantir a paz. Vemos que existe grande necessidade de trabalhar juntos, de compreender-se e, pelo contrário, estas afirmações…romper aquilo que é um pouco o consenso internacional, levam ao risco de novas violências. Devemos evitar isso de todas as maneiras.” 

Era D. Silvano Maria Tomasi, Observador Permanente Emérito da Santa Sé na ONU, em Genebra, entrevistado pelo jornalista da Rádio Vaticano Mário Galgano, apelando para uma convergência de esforços para garantir a paz em Jerusalém e no Médio Oriente.

Para D. Tomasi parece claro que a decisão de Donald Trump de transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém pode vir a aumentar o perigo de novos conflitos na Terra Santa e no Médio Oriente.

Recordemos que a história do Médio Oriente teve vários momentos de rápida evolução durante o século XX. Desde logo, quando no final da Primeira Guerra Mundial, a Palestina ficou sob a responsabilidade do Reino Unido e os judeus começaram a emigrar para essa região.

Depois da Segunda Guerra Mundial dá-se a fundação de Israel como estado judaico. Contudo, as Nações Unidas sempre consideraram Jerusalém como uma espécie de território internacional.

No entanto, a partir daí muitas foram as disputas e os desentendimentos entre o recém-criado Estado de Israel e os países vizinhos como a Jordânia, o Egito, a Síria e a Palestina: problemas como a guerra israelo-árabe de 1948, a guerra dos Seis Dias em 1967 e a recente implantação dos colonatos israelitas que ainda se mantem em desenvolvimento.

A decisão do Presidente Trump pode vir a trazer graves consequências para a Terra Santa e para todo o Médio Oriente.

“Sal da Terra, Luz do Mundo”, é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.

(RS)

Santa Sé está a acompanhar evolução da situação em Jerusalém

Segundo um comunicado difundido neste domingo pela Sala de imprensa do Vaticano, a Santa Sé está a acompanhar com atenção a evolução  da situação no Médio Oriente, com especial referência a Jerusalém, cidade sagrada para cristãos, hebreus e muçulmanos do mundo inteiro. Ao exprimir a sua dor pelos recontros que nos últimos dias provocaram vítimas, o Santo Padre – lê-se no comunicado – renova o seu apelo à sabedoria e á prudência da parte de todos e eleva fervorosas orações ao Senhor a fim de que os responsáveis das Nações, se empenhem, neste momento de particular gravidade, em esconjurar uma nova espiral de violência, respondendo com palavras e factos, aos desejos de paz, de justiça e de segurança das populações daquela martirizada terra.

As preocupações pelas perspectivas de paz na região – sublinha o comunicado – são objecto, nestes dias, de várias iniciativas, entre as quais as reuniões convocadas com urgência pela Liga árabe e pela Organização para a Cooperação Islâmica. A Santa Sé é sensível a estas preocupações e, referindo-se às prementes palavras do Papa Francisco, volta a sublinhar a sua já conhecida posição acerca do caracter singular da Cidade Santa e a imprescindibilidade  do respeito do status quo, em conformidade com as deliberações da Comunidade Internacional e de repetidos pedidos das hierarquias eclesiais e das comunidades cristãs da Terra Santa. Ao mesmo tempo, reitera a própria convicção que só uma solução negociada entre israelitas e palestinianos poderá trazer uma paz estável e duradoura e garanti a pacifica coexistência de dois Estado no seio de confins internacionalmente reconhecidos. 

(DA)

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